Empreendedores do início do século XX: a saga dos imigrantes europeus nas terras da recém-cidade de Bom Despacho


Empreendedores do início do século XX: a saga dos imigrantes europeus nas terras da recém-cidade de Bom Despacho

Em continuidade à série de artigos sobre a temática EMPREENDEDORES BOM-DESPACHENSES, escolhi para essa edição contar um fato da formação do nosso município: a vinda de imigrantes da Europa para nossa região, para trabalhar no campo e desenvolver as cidades do interior mineiro. Diante das dificuldades, à luz de pesquisas que fiz com pessoas daquela época e outros pesquisadores, o maior problema que fez com que essas pessoas não se fixassem como aconteceu no sul do país, basicamente se deve porque o município era pequeno e não comportava a produção agrícola deles. Mas isso é uma hipótese, é preciso pesquisar mais, por enquanto vamos mostrar uma das 10 características dos empreendedores: Persistência é enfrentar os obstáculos e buscar a todo custo o sucesso.

 

Porto de Hamburgo, noroeste da Alemanha, 2 de dezembro de 1922, nesse cenário épico a Família Hanke parte para a América do Sul na embarcação de nome Bagé, rumo ao desconhecido. A viagem durou 40 dias até o Rio de Janeiro, depois o rumo foi um estado brasileiro conhecido pelo potencial agropecuário, numa cidade recém-emancipada, Bom Despacho/MG. A narrativa pode parecer um filme do cinema, mas foi a realidade para aproximadamente 400 imigrantes europeus que vieram para cá com o objetivo de desenvolver o cerrado mineiro. As dificuldades com o idioma, com o clima, as atividades hostis do campo, sem ferramentas adequadas, tudo isso fez com que muitas famílias de poloneses, austríacos, italianos e alemães, sentissem os impactos de um programa de imigração criado pelo governador Benedito Valadares e que tinha objetivos nobres: aproveitar o processo de emigração europeu com o intuito de agregar às cidades mineiras uma cultura mais desenvolvida na agropecuária e indústria.

 

Em Bom Despacho eles se estabeleceram nas Colônias Álvaro da Silveira (próximo ao Rio Lambari) e David Campista (onde até hoje tem o Cemitério dos Alemães e a Fazenda Colônia). Na ocasião cada família recebia uma quantidade de terras, com a finalidade de desenvolver a agricultura, durante dois anos o governo de Minas subsidiava a todos. Fred Hanke, 58 anos, filho de Erhardt Hanke e Eva Muller, contou-me as aventuras de seus pais que vieram para cá com 19 e 15 anos, respectivamente. Atualmente Fred reside na cidade de Monrovia, Estado da Califórnia, EUA, onde aposentou como agente da alfândega americana. “Tenho suspeitado se meu avô Johann Muller, que era engenheiro ferroviário na Alemanha, poderia ter trabalho na antiga Estrada-de-Ferro Paracatu.”, conta Fred. Conversando com o economista Jurgen Rudiger, 28 anos, alemão que reside em Beijing, China, ele me relatou: “… minha família, os Korell, emigraram para Bom Despacho em dois diferentes momentos, primeiro em 1921 e depois em 1923, total de 10 pessoas. Eles se estabeleceram nas colônias alemãs David Campista e Álvaro da Silveira. Em 1938, um deles, minha avó, retornou para a Alemanha.”. Em 2006 Jurgen encontrou um artigo no site do Jornal de Negócios que falava da sua família Korell, a partir daí ele fez diversos contatos, quando em abril de 2008 decidiu vir visitar-nos, foi até a região das colônias, o cemitério, conversou com alguns descendentes.

 

Meus encontros e conversas com os descendentes dos alemães que vieram para terras bom-despachenses continuam em outros artigos, espero que vocês se surpreendam, como eu, a cada relato, são exemplos de muita dedicação e resistência, características de pessoas empreendedoras.

 

Rápidas e Rasteiras:

Eleições 2008: número de candidaturas foi inferior que em 2004, veja:

Em 2004:

Candidatos a Prefeito: 5 (a saber, Vital, Célio, Maurício Reis, Haroldo e Domingos)

Candidatos a Vereador: 104

Em 2008:

Candidatos a Prefeito: 2 –  55% menor que 2004 (a saber, Vital e Haroldo)

Candidatos a Vereador: 74 – redução de 30% em relação à 2004

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral

Gostaria ouvir do eleitor bom-despachense: qual sua opinião para essa redução? Respostas para o Editor do Jornal (via e-mail, fax ou carta)

Obras da ETE em ritmo acelerado: quem passa pelo Córrego da Chácara, na saída para Martinho Campos e em direção à Fazenda Raposo, sente o mal-cheiro do esgoto industrial e doméstico da cidade, felizmente as obras da ETE não param e é uma esperança de recuperação daquela área.

Museu da Cidade – Você sabia ? O MdC possui, em seu acervo, variado material que documenta fases da historia da cidade. Duas peças, um quadro a óleo da Matriz de Bom Despacho, de autor desconhecido, e um grande vaso de cerâmica pré-colombiana, com ossadas humanas, encontrado na Fazenda Indaiá, nas imediações da cidade, integram a relação de bens tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural. (mais informações na Internet, link http://www.bomdespachomg.com.br/museudacidade.php).

Curso Técnicas de Planejamento na UNIPAC: dias 18 e 19 estarei ministrando esse treinamento, voltado para profissionais e estudantes interessados em otimizar o planejamento dos seus negócios e projetos, maiores informações no site WWW.unipacbomdespacho.com.br.

Errata: sinceras desculpas aos meus conterrâneos, ao enviar o texto para publicação na edição 1000, o MS-Word corrigiu “despachense” para “despachante”, foi a observação do leitor Frederico Marques, morador do Bairro Santa Lúcia, que me escreveu relatando o equívoco.